O Blogue da Chris

Sobre “Fios”

Por Ana Maria Campos

Fios é o mais novo livro de Christiane Nóbrega.
Construído como uma delicadeza ímpar, conta a história como
uma trama bordada por uma geração de mulheres. Como qualquer
uma de nós – mãe, avó e neta.
Do nascimento à despedida, uma história que comove pela
singeleza do texto, a suavidade do bordado, as delícias preparadas, o
carinho e os gestos.
São mulheres cujas mãos acolhem, tramam, tecem e acenam.
São guerreiras de vida e arte. De amor e encontro.
Fios veio para mostrar que a vida flui. E, como um novelo, vai
se desenrolando na medida do tempo e nos mostrando que tudo finda
e recomeça.

Lançamento dia 07/12/2019 – 12 às 17

Loca como tu Madre 306 Sul

christiane nobrega - a branca de leite

Lá vem ela falar em alergia alimentar de novo…

Não tem jeito.

Lá vem eu de novo.

Pera, não desiste, só quero ajudar. Ajuda tipo “pegar pela mão”.

Nos últimos meses muitas mães (sim, só mães), têm me procurado

para ajudá-las no manejo da alergia alimentar na escola.

Pensando nisso, com a ajuda da linda da Solange Cianni, pensei em um pequeno guia de sugestões de como trabalhar o A Branca de Leite.

Esse material não tem pretensões científicas e muito mesmo limitantes, seu objetivo é inspirar professoras a trabalhar o livro em sala e incluir as crianças com alergia alimentar!

Tomara que seja útil!

Segue o link: Guia A Branca de Leite

 

 

Apresentação A Branca de Leite

Ilustrações Juliana Verlangieri

Literatura Infantil – reconto de A Branca de Neve

Editora C de Coisas

Branca era o nome da menina. Depois que a mãe morreu, a apelidaram de Branca de Leite.

 Sim, ela era ALÉRGICA A LEITE.

O pai também se foi deixando uma grande FORTUNA por herança.

A madrasta queria a fortuna só para si e ninguém ficaria em seu  C A M I N H O

.

 

O Projeto Literário abaixo traz sugestões de atividades inspiradas no BNCC (Base Nacional Curricular Comum). Contempla temas relevantes na formação das crianças da Educação Infantil e Ensino Fundamental I, proporcionando autoconhecimento, vivências e experiências ricas em valores e virtudes, compartilhar saberes, contribuindo para a formação do Ser  e do bem conviver, de forma lúdica e reflexiva.

 

“ … compromisso com a construção de uma sociedade mais justa, democrática e inclusiva.” (Base Nacional Curricular Comum)

 

Sugestões de Atividades

MOTIVAÇÃO, SENSIBILIZAÇÃO E CONTEXTUALIZAÇÃO

(antes da leitura do livro)

LEVANTAMENTO DE CONHECIMENTO PRÉVIO DA TURMA A RESPEITO DO TEMA 

  • O que sabem sobre alergia alimentar ?
  • Sabem o que é alergia ou intolerância alimentar?
  • Conhecem alguém que tenha esta alergia ou intolerância?
  • Sabem Qualtratamento para alergia alimentar?
  • Você costuma ler os rótulos dos alimentos que consome?
  • Oque costumam lanchar aqui na escola?.
  • De onde vem o leite que costumamos beber? ( abordaros mamíferos e  o leite adequado para cada filhote)

 

APRESENTAÇÃO DO LIVRO 

  • Explorar capa, ilustração, autora, editora,…

 

HORA DO CONTO 

  • Interpretação, imaginação,  formaçãode opinião, respeito às diferentes ideias, capacidade de síntese.

 

Roda de Conversa com a Turma

SUGESTÕES PARA A CONVERSA SOBRE O LIVRO

O PAI DE BRANCA NÃO FEZ SUA PARTE NA FAMÍLIA, O QUE VOCÊ ACHA?

  • O final dessa história seria diferente se o pai da Branca não fosse omisso?
  • Como é na sua casa?
  • E você faz sua parte em casa?

 

BRANCA TINHA APELIDO POR TER ALERGIA A LEITE

  • Todos os apelidos são bons?
  • Você gosta de ser chamado por apelidos?
  • Você chama seus amigos por apelido?
  • E se o amigo disser que não gosta, você respeita?

 

AUTOESTIMA, DEFEITOS E QUALIDADES

  • Podemos escolher quem somos fisicamente?
  • É justo criticar uma característica que não foi escolhida?
  • E as que não podemos mudar como a alergia alimentar?

 

BRANCA TOMOU ALGUMAS DECISÕES MUITO PERIGOSAS

  • O que você faria no lugar dela?
  • Qual a pior decisão que ela tomou na sua opinião? Morar com estranhas?

Aceitar alimento da madrasta? Recusar o médico como paquera?

ATIVIDADES PRÁTICAS SUGERIDAS A PARTIR DOS TEMAS ABORDADOS ACIMA, CONFORME O FLUXO DE INTERESSE DA TURMA E FAIXA ETÁRIA DA TURMA

 

  • Passeio a um mercado para analisar rótulos de alimentos e de materiais escolares que contenham leite e trigo.

 

  • Pesquisa sobre alérgicos alimentares na escola quantitativa e qualitativa: Quem são? Quantos são? São alérgicos a qual alimento?

 

  • Campanha interna de conscientização sobre alergias alimentares elaborada pelos alunos.

 

  • Encenação da história com dramatização livre, fantoches, sombra ou utilizando o áudio-livro.

 

  • Oficina de culinária com o preparo de uma receita que contemple as restrições alimentares de alguém da classe, caso não haja nenhum alérgico, pode-se fazer uma receita sem leite animal.

 

  • A roda de conversa pode ser realizada com a presença da Autora mediante verificação de condições e disponibilidade.

 

  • Convidar um/a nutricionista para ser entrevistado/a.

 

EXPRESSAR, BRINCAR, EXPERIMENTAR. OUTRAS LINGUAGENS E FORMAS DE EXPRESSÃO

 

  • Dramatizar a história utilizando o próprio corpo e voz ou outros acessórios cênicos
  • Produção textual sugerindo inventar outros finais para a história lida.
  • Fazer uma lista de sentimentos encontrados no livro e expressar com mímicas para a turma descobrir qual é.

 

SOBRE AUTORA

 

Christiane Nóbrega é advogada, escritora e integra o Coletivo Editorial Maria Cobogó que promove literatura independente. Mãe de três, todos com alguma alergia alimentar, atua na conscientização da alergia alimentar. Tem um livro lançando pela Editora Franco, “Júlio, um dinossauro muito especial” que já está na primeira re-impressão. E outro lançado pelo selo C de Coisas, “A Branca de Leite” que já conta com quase mil exemplares vendidos. Esse segundo fala, entre outros assuntos, de alergia alimentar.

 

links interessantes

 

http://www.christianenobrega.com.br/    https://mariacobogo.com.br/

https://chefcarlamaia.com/carla-maia/                 http://www.asbai.org.br

http://saborsemlimite.com.br/                              https://alergiaalimentarbrasil.com.br/

 

 

Passado, presente e futuro

De longe a observava.

Como chegou a esse ponto?

Em seu estômago raiva, decepção e pena.

Um arremedo de si.

 

Um tapa na cara resolveria?

– Tá enganando quem? Acorda!

 

Um espelho incômodo de se ver.

Cadê sua coragem?

Desmanchou com a chuva que não cai no Planalto Central desde maio?

Perdeu-se nas obviedades de Brasília?

 

A expectativa frustrada doía.

Ela dava duro pelo tal futuro.

Tinha de ter valido à pena!

Que droga!

 

Aquele futuro sem graça  a fez lembrar de Macabeia.

S0nhos? Planos?

Nem o sorriso tava mais lá.

 

Uma lástima.

 

Precisava voltar.

Como acertar? O que mudar?

A resposta estava na resistência.

Resistir sendo.

Em não se permitir ser moldada.

É isso.

Ela um passado decepcionado com o futuro.

Ela com o peso de toda uma existência em suas costas.

Resistiria. Resistiria.

Impressões sobre a Flip – 2019

Estive essa semana em mais uma edição da Flip – Festa Literária Internacional de Paraty. Sem dúvida, o evento literário mais charmoso do país! Foi minha segunda vez por lá (sobre a primeira leia aqui)  e mais uma vez foi maravilhoso. Muita arte, muita cultura e muito discurso com pouca prática.

 

Os temas das mesas provocaram uma necessária reflexão sobre a atualidade no Brasil, sobretudo sobre os conflitos sociais, polarização política, ódio explícito (machismo, misoginia, racismo, homofobia, elitismo) e pela crise da democracia brasileira pós golpe de 2016, tudo sob protesto de uma meia dúzia de opositores barulhentos e raivosos.

 

Muitas escritoras pretas na programação oficial. Escritores angolanos, nigerianos. Na programação das casas associadas e paralelas, um monte de coletivos editoriais e muitos eventos gratuitos espalhados pela cidade.

 

Logo na abertura da Flip, na programação principal no espetáculo “Mutação de Apoteose”, foi exibido um vídeo fortíssimo com cenas da sangrenta história recente do Brasil. Assassinato de Mariele e Anderson, massacres de povos indígenas, a atuação violenta e truculenta das polícias, o genocídio diário, o encarceramento em massa de pobres e pretos. Em seguida, o espetáculo contou com uma tímida participação dos indígenas locais. Tudo muito bonito e emocionante. Mas a inclusão ficou só no vídeo mesmo.

 

A entrada da tenda principal era cara, disputada. Seu público? Obviamente o retrato da elite branca brasileira, nível carros blindados e seguranças. Bem verdade que havia um espaço montado para transmissão ao vivo das mesas principais, mas precisa mesmo dessa segregação? Por que não um espaço único?

 

Os indígenas participaram da abertura (todos dizem óh…), mas foram nas ruas mais afastadas que expuseram seu trabalho. Ali, no chão mesmo, ao relento, literalmente à margem da Flip oficial. Não teria sido melhor inclui-los na programação oficial como protagonistas e não como totens?

 

A Flipinha, espaço dedicado às crianças, merece um capítulo à parte. Nessa edição, foi reduzida a um arremedo de lona de circo no meio da praça. Terrivelmente quente e que, com certeza, se chovesse, ficaria inviabilizada. Ao seu redor, brita. Isso senhoras e senhores, brita. Um terror para bebês. O espaço, de tão mínimo, quando recebia escolas locais, com não mais que pequenos grupos, ocupavam todo o minúsculo  espaço. Tudo sem cadeiras, banheiro e nem uma mesinha que servisse de fraldário.

 

A programação da Flipinha não teve melhor sorte, repetitiva e enfadonha, com a exceção de um ou dois momentos que valeram ouro, como a participação do escritor Jonas Ribeiro. Nenhuma autora ou autor infantil na programação principal. Nenhum.

 

É incompreensível tanto desdém. Sobretudo, quando o debate da vez é a crise do mercado editorial. Não são as crianças seu presente e futuro? Nem o espaço dos infantis na Livraria da Travessa estava bacana. Poucos títulos, estantes altas e muitos títulos mais comerciais que literários.

 

Para além dessa questão, se dizer feminista e não incluir crianças é bem contraditório. Claro que se o local não é acolhedor pras crias, a mãe também deixa de ir. Companheiros que assumam seu papel ainda são exceção e rede de apoio é privilégio de poucos. Pode-se dizer que não havia banheiros públicos de tão poucos. Os dos restaurantes eram exclusivos para clientes. Fraldários? Não vi nenhum.

 

Justiça seja feita! O SESC e o Museu da Língua Portuguesa, além de programação específica para crianças, tinham distrações para os pequenos leitores tornando-os também acessíveis às mães.

 

A preocupação de como divulgar, como vender, como conquistar mercado, quais os novos caminhos… é unânime e foi abordada com variados enfoques. O fato é que o mercado editorial teve por anos o setor público como principal comprador e com os cortes dos programas, ficaram meio que à deriva. Mas em pouquíssimos desses debates se discutiu a formação de leitores (teve Calangos Leitores na Casa Philos) e em menos ainda a democratização do acesso à literatura, o que mais crer que ano que vem acontecerão exatamente os mesmos debates.

 

A Flip de fato é um sucesso. Voltaria mil vezes e recomendo mais ainda. Mas alguém aí precisa ajustar a sintonia entre o discurso e a prática. Os indígenas, os pretos, as crianças, os LGBTQ+, as mães precisam sair da margem da Flip, esse já é o lugar que a sociedade os relega. Queremos o protagonismo. Espero nas próximas edições ver todas essas contradições diminuídas com muita prática e novos discursos. Não basta se dizer inclusiva, tem que ser inclusiva.

Brasília

Há um ano e uns meses eu recebi o diagnóstico do neurinoma vestibular com indicação de cirurgia e lá fui eu a uma verdadeira peregrinação médica. O endereço de um neurocirurgião indicado era no Setor Hospitalar Sul. Estacionamento “menos difícil”, onde? Em frente ao cemitério. Eu ali com um laudo de ressonância magnética na mão e um cemitério no retrovisor. Foi desconfortante eu ali com um diagnóstico grave tendo como horizonte vários jazigos e coroas de defunto. Restava a mim praguejar Lúcio Costa.

Quem pensaria em um cemitério em área contí

Foto de Elias Lucena

gua aos hospitais? O doente ter como vista túmulos, enterros, velórios e, quiçá, assombrações? Aquela paisagem no espelho do carro me fez, entre tantas outras coisas, repensar Brasília e reformular o que dela eu pensava e sentia.

Comecei lembrando que uma pergunta me perseguiu toda a vida ao me anunciar de Brasília: “Você sempre vê o presidente e os deputados?”. E daqueles que já conheciam a capital, eu ouvia que Brasília era uma cidade fria. Eu de certa forma, me incomodava, nasci e cresci em Taguatinga, ex-cidade-satélite e atual região administrativa. Lá era cheio de vida. Crianças na rua, adultos batendo papo nas calçadas, cachorros conhecidos na vizinhança. Naquele dia da consulta, me deparei com essa cidade fria.

Não dá pra chamar de humana uma cidade, planejada, onde o cemitério e o hospital são vizinhos. Quem seria capaz de pensar a praticidade disso? Não dá pra chamar de humana uma cidade que destinou aos seus operários as tais cidades satélites tão distantes do rico Plano Piloto (Taguatinga, 20 km; Núcleo Bandeirante, 17 km; etc). Brasília já nasceu elitista. Já nasceu destinando aos pedreiros a periferia, que nem o nome de bairro ou de Brasília tem em seu endereço.

Claro que esse texto não tem nenhuma pretensão científica. Esse texto é de opinião. O máximo que fiz foi ir ao Google, ansiando por quebrar minha solidão ao criticar a amada Brasília. A Brasília construída pra carros, não pra gente. As distâncias, os desenhos… e hoje um tanto de ausência de políticas públicas de mobilidade urbana. Caminhar em Brasília é um desafio e tanto! Estacionar também. Então, voltando, fui ao Google buscar companhia e achei uma entrevista do arquiteto Márcio Kogan que, lógico, nunca tinha ouvido falar, dizendo que Brasília “É uma cidade pensada para os carros, não para que você se movimente andando. Uma vez, ao sair de um hotel, como não havia como ir a lugar algum sem carro, ficamos no bar do lobby comendo um sanduíche”.

Mas não encontrei só isso, encontrei um dos pensadores da cidade e ovacionado por ela, Oscar Niemeyer, dizer anos após a inauguração de Brasília: “Ah, não sei… Se tivesse mais tempo seria diferente, ela foi feita às pressas. Talvez eu propusesse fazer somente os prédios governamentais e hotéis”.

Aos fãs incondicionais da cidade planejada que aguentaram ficar até aqui, não coloquem meu nome na boca do sapo. Peço calma. Eu também me emociono ao ver a Esplanada surgindo à minha frente. Mas verdade seja dita, cemitério vizinho de setor hospitalar merece minha total e irrestrita indignação! Nem só de Esplanada é Brasília…

Como um Girassol

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O nome dela é Ronetna, assim mesmo, é Antenor ao contrário. Conhecida como Nety ou Neta. Ela gosta assim.

Ela nasceu no Piauí. Como várias nordestinas, veio em busca daquilo que lhe faltava. Tempos depois, percebendo o que para ela era alguma estabilidade, voltou pra buscar os filhos. Já havia condições de criar-lhes com dignidade e dar-lhes o necessário para que pudessem ter um futuro diferente do dela.

 

Mãe vigilante, acompanha os filhos de perto na escola. Faz questão. No tempo livre, ainda se envolve no projeto onde praticam esporte. Ajuda no que dá, no que pode.

 

E não é que, junto com familiares, ainda fundou um grupo cultural! Trouxeram a cultura da terra natal pra comunidade onde vivem.

 

Onde ela mora? Lá em Girassol, no Goiás. A sabedoria popular costuma dizer que girassol, a flor, significa felicidade, entusiasmo, vitalidade. Eu não duvido que Girassol, a cidade, trouxe felicidade e vitalidade à vida da Nety, mas tenho certeza que a Nety é como um girassol, a flor, na vida de sua comunidade.

 

Como um girassol… a favor da comunidade.

Preta? Você?

Preta, você?

Racista, eu?

Pé na senzala.

 

Quase preta, não tão branca.

Cabelo ruim, não tão ruim. Médio. Escova resolve.

Meio moreninha. Talvez.

Protetor solar?

Não, não. Você não é preta. É morena.

Passa por branca.

Cotas? Você é branca.

Pega um café?

Desculpa, você é advogada?

Arrumou o cabelo?

Trançou o cabelo porque? Coisa para quem tem cabelo ruim.

Se a Lei Áurea fosse revogada, você seria minha mucama.

 

Pé na senzala.

Preta, você?

Racista, eu?

Caderno de Receitas

A vida moderna (eufemismo para capitalismo selvagem) nos impõe um ritmo cruel que nos faz sacrificar muitas coisas importantes. O tempo é curto e acabamos nos deixando levar pela boiada abrindo mão de uma alimentação saudável (isso quando se tem dinheiro para). Além disso, algumas mulheres, como forma de grito de liberdade, deixaram de cozinhar.

Sempre gostei muito de cozinhar. A comida sempre esteve presente na minha vida como uma forma de carinho e diversão. Tenho receitas da época da infância e da adolescência que me lembram momentos incríveis, como as muitas tardes que passei com a Andréa sentadas no chão vendo o bolo assar. Como toda boa experiência que temos, essa também quis passar pros meus filhos.

 

Cozinhar nos ensina muitas coisas: planejar, seguir métodos, inovar, experimentar, errar e recomeçar. Lidar com a frustração de uma receita que deu errado e jogar tudo fora(detesto blogueiras de receita que fingem que tudo sempre dá certo), ou simplesmente comer por que ficou bem comível. Mas para mim, nunca como uma obrigação, mas como um deleite como cheiros, cores e texturas.

 

Pensando nisso, comecei com Maria Elisa um Caderno de Receitas, daqueles à moda antiga, caderno escrito à mão, com observações ao lado dos ingredientes, do modo de fazer. Informações preciosas que só duas pessoas juntas na cozinha podem construir e dividir com o papel.

Nele além de receitas, tem experiências, afetos, cheiros e sabores e principalmente laços de mãe e filha.

***

 

Maria Cobogó

COBOGÓ – A ORIGEM

Alessandra Roscoe

Ana Maria Lopes

Christiane Nóbrega

Claudine Duarte

Elisa de Mattos

Marcia Zarur

Foto Thaís Mallon

Solange Cianni

Hoje em alta, o cobogó foi criado em 1929, ano de grande crise, pelo comerciante português Amadeu Oliveira Coimbra, pelo alemão Ernst August Boeckmann e pelo engenheiro pernambucano Antônio de Góes em Recife, PE. As iniciais de seus sobrenomes formaram a deliciosa palavra COBOGÓ.

O cobogó foi uma solução para amenizar o calor nas casas pernambucanas e levantar paredes sem impedir a ventilação. Em Brasília, com sua arquitetura de vanguarda, o cobogó teve seu ápice. Encontrou espaço e virou símbolo.
Maria é um nome comum. Muitas vezes usado para denominar uma pessoa qualquer que não se conhece, uma “dona Maria”. Ao mesmo tempo é utilizado em várias línguas, sendo que alguns estudiosos atribuem sua origem ao nome hebraico מרים, traduzido como Miriam, que significa rebelião, como também pode ter surgido a partir de um nome egípcio derivado de mry (amada) ou mr (amor).

Maria e Cobogó. Mulheres comuns que em um encontro no Nordeste brasileiro, não em Pernambuco, mas na vizinha Paraíba, em João Pessoa, estreitaram laços, deram as mãos e de quão boa foi a experiência, decidiram que, aqui no cerrado, seguem juntas! Uma rebelião como movimento para dar espaço às palavras, ventilando todas letras possíveis e iluminando a amizade em forma de livros.

Maria Cobogó.

Uma confraria das palavras. Uma associação de amigas. Uma parceria de idéias. Mulheres que se unem para realizar.

www.mariacobogo.com.br