De longe a observava.

Como chegou a esse ponto?

Em seu estômago raiva, decepção e pena.

Um arremedo de si.

 

Um tapa na cara resolveria?

– Tá enganando quem? Acorda!

 

Um espelho incômodo de se ver.

Cadê sua coragem?

Desmanchou com a chuva que não cai no Planalto Central desde maio?

Perdeu-se nas obviedades de Brasília?

 

A expectativa frustrada doía.

Ela dava duro pelo tal futuro.

Tinha de ter valido à pena!

Que droga!

 

Aquele futuro sem graça  a fez lembrar de Macabeia.

S0nhos? Planos?

Nem o sorriso tava mais lá.

 

Uma lástima.

 

Precisava voltar.

Como acertar? O que mudar?

A resposta estava na resistência.

Resistir sendo.

Em não se permitir ser moldada.

É isso.

Ela um passado decepcionado com o futuro.

Ela com o peso de toda uma existência em suas costas.

Resistiria. Resistiria.