A vida moderna (eufemismo para capitalismo selvagem) nos impõe um ritmo cruel que nos faz sacrificar muitas coisas importantes. O tempo é curto e acabamos nos deixando levar pela boiada abrindo mão de uma alimentação saudável (isso quando se tem dinheiro para). Além disso, algumas mulheres, como forma de grito de liberdade, deixaram de cozinhar.

Sempre gostei muito de cozinhar. A comida sempre esteve presente na minha vida como uma forma de carinho e diversão. Tenho receitas da época da infância e da adolescência que me lembram momentos incríveis, como as muitas tardes que passei com a Andréa sentadas no chão vendo o bolo assar. Como toda boa experiência que temos, essa também quis passar pros meus filhos.

 

Cozinhar nos ensina muitas coisas: planejar, seguir métodos, inovar, experimentar, errar e recomeçar. Lidar com a frustração de uma receita que deu errado e jogar tudo fora(detesto blogueiras de receita que fingem que tudo sempre dá certo), ou simplesmente comer por que ficou bem comível. Mas para mim, nunca como uma obrigação, mas como um deleite como cheiros, cores e texturas.

 

Pensando nisso, comecei com Maria Elisa um Caderno de Receitas, daqueles à moda antiga, caderno escrito à mão, com observações ao lado dos ingredientes, do modo de fazer. Informações preciosas que só duas pessoas juntas na cozinha podem construir e dividir com o papel.

Nele além de receitas, tem experiências, afetos, cheiros e sabores e principalmente laços de mãe e filha.

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