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Brasília

Há um ano e uns meses eu recebi o diagnóstico do neurinoma vestibular com indicação de cirurgia e lá fui eu a uma verdadeira peregrinação médica. O endereço de um neurocirurgião indicado era no Setor Hospitalar Sul. Estacionamento “menos difícil”, onde? Em frente ao cemitério. Eu ali com um laudo de ressonância magnética na mão e um cemitério no retrovisor. Foi desconfortante eu ali com um diagnóstico grave tendo como horizonte vários jazigos e coroas de defunto. Restava a mim praguejar Lúcio Costa.

Quem pensaria em um cemitério em área contí

Foto de Elias Lucena

gua aos hospitais? O doente ter como vista túmulos, enterros, velórios e, quiçá, assombrações? Aquela paisagem no espelho do carro me fez, entre tantas outras coisas, repensar Brasília e reformular o que dela eu pensava e sentia.

Comecei lembrando que uma pergunta me perseguiu toda a vida ao me anunciar de Brasília: “Você sempre vê o presidente e os deputados?”. E daqueles que já conheciam a capital, eu ouvia que Brasília era uma cidade fria. Eu de certa forma, me incomodava, nasci e cresci em Taguatinga, ex-cidade-satélite e atual região administrativa. Lá era cheio de vida. Crianças na rua, adultos batendo papo nas calçadas, cachorros conhecidos na vizinhança. Naquele dia da consulta, me deparei com essa cidade fria.

Não dá pra chamar de humana uma cidade, planejada, onde o cemitério e o hospital são vizinhos. Quem seria capaz de pensar a praticidade disso? Não dá pra chamar de humana uma cidade que destinou aos seus operários as tais cidades satélites tão distantes do rico Plano Piloto (Taguatinga, 20 km; Núcleo Bandeirante, 17 km; etc). Brasília já nasceu elitista. Já nasceu destinando aos pedreiros a periferia, que nem o nome de bairro ou de Brasília tem em seu endereço.

Claro que esse texto não tem nenhuma pretensão científica. Esse texto é de opinião. O máximo que fiz foi ir ao Google, ansiando por quebrar minha solidão ao criticar a amada Brasília. A Brasília construída pra carros, não pra gente. As distâncias, os desenhos… e hoje um tanto de ausência de políticas públicas de mobilidade urbana. Caminhar em Brasília é um desafio e tanto! Estacionar também. Então, voltando, fui ao Google buscar companhia e achei uma entrevista do arquiteto Márcio Kogan que, lógico, nunca tinha ouvido falar, dizendo que Brasília “É uma cidade pensada para os carros, não para que você se movimente andando. Uma vez, ao sair de um hotel, como não havia como ir a lugar algum sem carro, ficamos no bar do lobby comendo um sanduíche”.

Mas não encontrei só isso, encontrei um dos pensadores da cidade e ovacionado por ela, Oscar Niemeyer, dizer anos após a inauguração de Brasília: “Ah, não sei… Se tivesse mais tempo seria diferente, ela foi feita às pressas. Talvez eu propusesse fazer somente os prédios governamentais e hotéis”.

Aos fãs incondicionais da cidade planejada que aguentaram ficar até aqui, não coloquem meu nome na boca do sapo. Peço calma. Eu também me emociono ao ver a Esplanada surgindo à minha frente. Mas verdade seja dita, cemitério vizinho de setor hospitalar merece minha total e irrestrita indignação! Nem só de Esplanada é Brasília…

Maria Cobogó

COBOGÓ – A ORIGEM

Alessandra Roscoe

Ana Maria Lopes

Christiane Nóbrega

Claudine Duarte

Elisa de Mattos

Marcia Zarur

Foto Thaís Mallon

Solange Cianni

Hoje em alta, o cobogó foi criado em 1929, ano de grande crise, pelo comerciante português Amadeu Oliveira Coimbra, pelo alemão Ernst August Boeckmann e pelo engenheiro pernambucano Antônio de Góes em Recife, PE. As iniciais de seus sobrenomes formaram a deliciosa palavra COBOGÓ.

O cobogó foi uma solução para amenizar o calor nas casas pernambucanas e levantar paredes sem impedir a ventilação. Em Brasília, com sua arquitetura de vanguarda, o cobogó teve seu ápice. Encontrou espaço e virou símbolo.
Maria é um nome comum. Muitas vezes usado para denominar uma pessoa qualquer que não se conhece, uma “dona Maria”. Ao mesmo tempo é utilizado em várias línguas, sendo que alguns estudiosos atribuem sua origem ao nome hebraico מרים, traduzido como Miriam, que significa rebelião, como também pode ter surgido a partir de um nome egípcio derivado de mry (amada) ou mr (amor).

Maria e Cobogó. Mulheres comuns que em um encontro no Nordeste brasileiro, não em Pernambuco, mas na vizinha Paraíba, em João Pessoa, estreitaram laços, deram as mãos e de quão boa foi a experiência, decidiram que, aqui no cerrado, seguem juntas! Uma rebelião como movimento para dar espaço às palavras, ventilando todas letras possíveis e iluminando a amizade em forma de livros.

Maria Cobogó.

Uma confraria das palavras. Uma associação de amigas. Uma parceria de idéias. Mulheres que se unem para realizar.

www.mariacobogo.com.br