Há algum tempo, festa de criança era sinônimo de dia com a mãe na cozinha e pai enchendo balão. A molecada tentando roubar os doces e, na hora da festa, um corre-corre e uma gritaria sem fim. Os presentes eram abertos ali mesmo ao serem recebidos, alguns já inaugurados durante a festa mesmo. Aconteciam algumas brincadeiras orientadas como corrida de saco, caça ao tesouro e dança das cadeiras. Na hora dos “Parabéns” o aniversariante já estava suado e despenteado.

Hoje algumas festas infantis viraram uma verdadeira loucura! Gasta-se quase o mesmo que em um casamento. Doces especiais, casas de festas lotadas de brinquedos eletrônicos, cenários faraônicos, fotógrafos caríssimos, detalhes dignos de Hollywood. Tem até troca de roupa pro “Parabéns”! Como não pensar no desperdício e no dano ao meio ambiente com tanto papel, borracha e plástico?

E a pobre criança passa metade da festa tirando fotos com quem nunca nem viu e se viu, nem lembra. A pergunta que não quer calar: a festa é pra quem? Quem se busca agradar com essa verdadeira “comemoração ostentação”?

Se é uma vontade consciente dos pais fazer um mega evento, tudo bem. É maravilhoso concretizar um sonho! Se você se enquadra nesses, vá em frente e quando alguém questionar responda que fez porque quis, por que era um sonho, pronto e acabou. Agora, veja bem, se a intenção é uma resposta ao círculo de amigos ou agradar a criança com essa super-comemoração, é pouquíssimo provável que ela curta!

Criança não vê detalhe, pra ela tanto faz se tem doces personalizados na mesa ou se tem só o bolo com cobertura de brigadeiro e granulado. Talvez ela se importe com os personagens escolhidos, mas só.

Ela quer saber é de brincar com as crianças e correr pra lá e pra cá. Abraçar a tia e tirar foto toda hora é chato demais até pra um adulto, veja lá pra uma criança! Quase sempre o resultado final é a criança exausta e irritada.

Vou dividir com vocês minha experiência de mãe de três e o mais velho com 18 anos. Até os 3 anos fiz festinha em casa, só para os mais íntimos. Depois a coisa foi crescendo. No aniversário de 8 anos fiz numa casa de festas infantis com tudo que tinha direito. Festa linda! Convidei todo mundo, até colegas de trabalho. Ao menos poupei o pobre das fotos durante a festa, marquei 30 minutos antes com os parentes pra isso.  Gastei uma pequena fortuna. Pra amenizar a culpa, pedi doações aos convidados e levei a um orfanato.

Passados uns anos, perguntei a ele quais as melhores festas da vida dele. Gente, ele citou 3 e essa aí nem estava no meio!!! E as melhores comemorações foram as menores, onde ele estava mais à vontade entre pessoas que ele realmente ama. É bem verdade que em um primeiro momento fiquei frustrada, tanta despesa pra nada? Percebi que pra mim aquela festa foi importante, quem se realizou fui eu. Talvez por uma questão meramente social.

A questão é que muitos pais se sentem frustrados por não conseguirem bancar uma festa tão, literalmente, rica. Mas o fato é que os filhos se satisfazem com um bolo confeitado de padaria mesmo e com seus amigos e familiares. Se a grana tá curta, experimente ir pra cozinha com ele fazer um bolo com cobertura e quem sabe até arriscar nuns docinhos de leite em pó. Escolha com ele os mais íntimos pra lanchar ou pra um piquenique. Deixe a criança mesmo fazer os convites e telefonar pros convidados! O que vai ficar é a emoção de ter feito tudo, o carinho e o amor! O resto? Vira literalmente lixo.