Já contei para vocês o que penso de festa de criança em outro texto. Criança tem que estar livre e se divertir. Mas ao que me lembre, falei mais das superproduções e megaeventos, não falei em comida. Agora quero dividir com vocês a nossa experiência com cardápio de festa, especialmente depois que a alergia alimentar trouxe algumas libertações.

 

Eu queria ler um estudo antropológico que me explicasse em que momento comida de festa virou sinônimo de porcaria: salgados fritos, doces ultraprocessados, salsichas cheias de corantes e conservantes e bebidas açucaradas. E aqueles sacos de doces que dão de lembrança?

Meu Pai!

Mas calma! Não desista deste texto, não ainda. Não vou propor linhaça dourada colhida no sereno pelas virgens de ilhas distantes em noite de lua cheia. Nem painço (o que é isso?). Nem chia. Não. Vou só falar de festa com comida de verdade.

 

Eu já paquerava com as festas com produção própria e por pura falta de criatividade, optava por almoços e jantares. Fácil, fácil fazer um almoço ou janta sem leite. Galinhada, churrasco, carnes assadas, saladas…sobremesa de aniversário é bolo, claro! O melhor disso é que o custo da festa cai um bocado. Mesmo depois da liberação do leite, seguimos fazendo festas inclusivas, porque inclusão e amor não fazem mal a ninguém.

Esse ano veio o desafio, Maria queria uma festa de tarde e com DJ. DJ contratado. A decoração seri
a desocupar a sala pra pista de dança e o que serviríamos? Troquei ideia com as amigas todas e fechamos o cardápio:

– esfirra de frango;

– enroladinho assado de queijo vegetal (os salgadinhos foram feitos nas duas semanas que antecederam e congelados);

– pipoca (de panela);

– sanduíche de frango com bisnaguito (não tem leite…);

– pão francês e para acompanhar coponata de berinjela e lagarto desfiado;

– milho cozido;

– caldo de frango;

– espetinho de tomate cereja com com manjericão (cortei as pontas para não machucar, viu, Fê?);

– dindim de mousse de maracujá e de coco sem leite (tem lugar que chama sacolé, outros chama geladinho…);

– salada de fruta (suco de laranja, manga, morango, banana e maçã. A banana tem que ser cortada e colocada logo no suco pra não ficar preta. A maçã colocada na água gelada com um tiquinho de sal, escorre e põe no suco);

– um pouco de refrigerante,

– sucos de frutas feitos em casa (abacaxi com hortelã, maracujá e morango);

– café (sim, fez super sucesso entre os adultos)

– nas suqueiras, água geladinha.

O bolo foi presente da Quitutices sem leite, sem refinados e sem glúten. Os doces foram tradicionais mesmo, feitos pela Cecília, minha sobrinha, e enrolados por nós todos (brigadeiro, leite em pó e paçoquinha). O mais legal de enrolar doces é a incapacidade de padronizar, no final, todo mundo de saco cheio de enrolar doce, saem uns brigadeiros enormes que na festa são disputados. Só tive o cuidado de garantir alguns livres de leite para os alérgicos e intolerantes presentes também produzidos pela Quitutices.

Algumas coisas foram bem legais de ver. Fizemos uma mesa de doces com uma placa: “tá liberado, pode comer!” e as crianças nem ligaram, mas os adultos se acabaram! Sobrou suco, sobrou refrigerante. Mas a água e o café foram repostos várias vezes. Os tomates foram causa de briga, não só porque estavam com um lindo espeto com nota musical, mas também por estarem deliciosos. É que eles podiam ter ido para o lixo e todos foram direto pras bocas das crianças! Mede-se a satisfação da comida da festa pelo desperdício, que foi quase zero.

A festa foi um sucesso em todos os sentidos, as crianças ficaram muito à vontade, dançaram bastante, comeram e brincaram. Confirmaram que comem o que oferece. Se vão a uma festa e não tem água, bebem suco, refrigerante… mas com a água sempre à mão, optam por ela.

Claro que deu mais trabalho que simplesmente contratar comida pronta, mas a comemoração e diversão começam no planejar, passa pelo fazer e vai pro resto da vida em lembranças incríveis. E a cereja do bolo, opa, morango orgânico, pudemos ouvir a clássica frase da Lele:

– Foi meu melhor aniversário!

 

O bolo e os brigadeiros sem leite da Quitutices (@quitutices)

A fotos são do Guilherme S (instagram @gui6891)

O som foi de Jackson Carvalho ( Facebook @somdjdf)