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Três filhos preferidos, tenho.

Três filhos preferidos? Eu tenho

Bom, como é de público e notório conhecimento, tenho três filhos. Três filhos preferidos. Por que falar nisso? Conto. Sábado, aniversário de 81 anos do papai, eu descascando laranja e Greici, também mãe de três, cortando toucinho (sim, era feijoada). Já viu, né? Juntou mais de um familiar já se ouve o narrador anunciando:

“Casos de Família”- O tema do dia “Você tem um preferido” com a participação das irmãs Freitas Nóbrega. Quem tem filho preferido? Ambas negam ter. Ambas acusam a outra de ter.

Corta a imagem pra minha cozinha. Segue o babado.

O debate foi se acalorando e Elias põe uma faca peixeira na minha frente ao que eu pergunto sem entender:

– Que é isso? Vou cortar laranja com a faca de serra mesmo.

– Amor, a faca da Greici é maior, você está em desvantagem. – E o “método Elias nada ortodoxo para resolução do conflito” deu certo. Mudamos de assunto certas de que a outra tem sim um filho preferido.

E agora? Que critério usar pra provar minha hipótese de que não tenho? Hum…Falar dos três e da minha relação com eles. Ótimo. Começando por qual? Ordem cronológica. Não, não. Melhor alfabética. Tanto faz, seria a mesma ordem, a lista coincide. Então, vamos lá.

Bruno, 21 anos. Amor, muito amor. Nasceu aquela coisinha diferente, sim, não conhecemos a cara dos nossos filhos, nascem completos estranhos. Ao ouvir seu choro algo nasceu em mim. Chorei de emoção. Que lindeza de sensação! Depois os sorrisos, as noites sem dormir, os primeiros passinhos, aprendendo a ler, as tiradas superengraçadas e inteligentes. Detestava dever de casa. Criança mais calma do planeta. Meu primogênito! Por ele aprendi a ser mãe. Mas uma coisa é fato, filho mais velho sofre.

Maria Elisa, 10 anos. Achei que não a amaria como amava o Bruno, tive medo. Amor, muito amor. Nasceu aquela coisinha que já sabia que ia ser diferente. Aí ouvi seu choro e algo nasceu em mim e descobri naquele dia que a cada filho eu ganharia um novo coração exclusivo e, assim, não seria possível amar mais ou menos. Chorei de emoção. Que lindeza de sensação! Depois os sorrisos, as noites sem dormir, os primeiros passinhos, aprendendo a ler, as tiradas superengraçadas e inteligentes. Adora dever de casa. Assiste TV dando cambalhotas. Minha filha mulher! Por ela aprendi a ser mãe. Mas uma coisa é fato, filha mulher sofre.

Samuel, 4 anos. Sabia que o amaria como amava o Bruno, como amava Maria. Nasceu aquela coisinha que já sabia que ia ser diferente. Aí ouvi seu choro e algo nasceu em mim e já sabia que a cada filho eu ganharia um novo coração exclusivo e, assim, não seria possível amar mais ou menos. Chorei de emoção. Que lindeza de sensação! Depois os sorrisos, as noites sem dormir, os primeiros passinhos, aprendendo a ler, as tiradas superengraçadas e inteligentes. Ainda não sei se vai adorar ou detestar dever de casa. Assiste TV correndo e pulando. Tem professora e tá superando a mestra. Meu caçula! Por ele aprendi ser mãe. Mas uma coisa é fato, filho caçula sofre.

Relatos prontos, voltemos ao preferido.

Feito os dedos das mãos, eles e ela são bem diferentes e bem iguais também. Diferentes não se ama da mesma forma. Mas sim, é possível amar a cada um com absolutamente a mesma intensidade. Pra cada um, um coração inteiro. E, assim, posso concluir com “evidências científicas irrefutáveis” (em homenagem à Daíse) que Bruno é meu filho mais velho preferido, Maria Elisa é minha filha preferida e Samuel é meu caçula preferido. E tenho dito!

Adolescente

Filhos crescem.

Incomoda-me profundamente comentários de pais, mães e pessoas como um todo, que mencionam o desejo de que os filhos não cresçam:

-Que pena que crescem!

-Quero ver na adolescência!

Daria para escrever um tratado sobre isso, mas vou me ater à questão: filho é filho, para sempre, com 1 dia e com 70 anos.

E, não, não dá para pular a adolescência.

E qual o problema com a tal adolescência?

A adolescência é uma fase de profundos questionamentos. É uma fase dura, difícil para quem vive. A pessoa não é mais um bebê fofinho, nem uma criança engraçadinha, mas também não é um adulto livre e independente. Aí já vem o rótulo “aborrecentes”.

Como se não bastasse a crise “não sou criança nem adulto”, os picos hormonais e a absurda pressão de escolher o que você vai ser para sempre, o primeiro beijo… é muita coisa para alguém ainda em formação!

O fato é que o adolescente precisa do apoio e acompanhamento dos pais tanto quanto uma criança, claro que em padrões diferenciados. Se em casa ele encontra uma zona de eterno conflito, ele vai preferir estar onde o entendem e acolhem, mesmo que de modo inadequado. É natural.

Mas, o que fazer? Acolher, amar e, sobretudo, mostrar que compreende seus conflitos e dores. Nunca banalizar. Isso não significa ser permissivo, mas sim deixar claro que ele é amado exatamente como é e que esses conflitos tão significativos na sua formação, vão passar e com você ao lado. Mostrar que as regras da família não devem ser respeitadas porque “ele come do seu feijão”, mas sim porque é o melhor para ele e para família inteira e, assim, criar um ambiente acolhedor para todos.

Não dá para vincular amor com o sustento e com a maioridade. Minha mãe manda em mim até hoje! Todas são assim! Sim, porque regra e apoio é puro amor.

Quem não se lembra dessa fase? Do quanto era difícil não ser observada pelo mais bonito da escola ou não saber o que iria cursar na faculdade? E achar que iria morrer porque o namoro acabou? Ou achar que a vida acabou porque não pode ir aquele show ou festa? Até escolher uma roupa era pavoroso! Eu me lembro! E me lembro também de incríveis histórias e das amizades para vida toda que construí nessa fase.

E, assim, tento fazer meu melhor, focando nas delícias dessa fase e revivendo-as com ele de alguma forma e do mesmo modo não esquecendo as dores e junto com ele, superá-las.

Aborrecente aqui não! Aqui é filho, sempre filho.

 

São Bruno, Santa Lele e São Samuel

(Esse texto foi originalmente publicado há um tempo, mas nada mudou, aliás, talvez tenha piorado com a chegada da Nathália, minha nora, acrescentei um item…)

Meu Deus do Céu! Esse menino não para! Ele é ligado na tomada!

Essa menina tá com a gota serena hoje! Gente, a pilha dessa menina não acaba?

Como eles não cansam? Vai cair daí! Vai se machucar! Christiane, esses meninos não têm juízo? Como assim eles jogam pingue-pongue na sua mesa de jantar?

Sim, é verdade, ouço quase que diariamente todas essas frases sobre minhas crias. Não sei se os meus são realmente muito ativos ou se os outros que são muito parados. O fato é que acho bom (algumas vezes fico cansada, quase quero manda-los pra Nárnia, assim, descansaria), menino quieto é menino doente. Bom mesmo é ter a casa cheia de vida, de risadas, de gritos, de barulho de brinquedo caindo no chão, de cachorro latindo atrás deles, de bola batendo na parede, de bicicleta precisando de graxa batendo nos móveis! Anjo-da-guarda trabalha duro por aqui! Quando eles dormem sinto alívio e depois saudade (mãe é tudo assim mesmo).

Sorte que sei que não estou só na labuta! Tem vários do tipo “Menino Maluquinho” por aí, com asas nos pés e o olho maior que a barriga. Escrito por Ziraldo e publicado pela Melhoramentos é um clássico delicioso e bem fácil de ler.

E o Max? Pobre Max! Fez travessura e foi condenado a ir para cama sem jantar…um horror! Nem tão pobre assim, gente. Ele aproveitou a oportunidade e viajou para bem longe, para “Onde Vivem os Monstros” e foi ser rei. Uma obra prima de Maurice Sendak, da editora Cosac Naify (muito melhor que o filme).

Todos esses são personagens sem muito juízo! Mas quem perdeu mesmo o juízo e ficou com uns, ou melhor, vários parafusos a menos, foi o menino do “Cadê o juízo do menino” de Tino Freitas e Mariana Massarani da Editora Manati. Quando esse livro chegou aqui em casa foi um alívio! Sabem por que? Porque finalmente um livro sucedeu o “Onde vivem os monstros” que Samuel me fez ler até ele decorar cada página e aí de mim se ousasse pular uma palavra! Trégua para Max. É a vez do menino sem juízo que come maçã com manteiga e penteia o cabelo com escova de dentes. O livro ainda traz uma deliciosa brincadeira de encontrar parafusos perdidos nas cenas, similar ao “Onde está Wally?”

Tem vários outros personagens assim Alice, Emília, Dorothy, Harry, Peter Pan, Cebolinha, Cacão… Trouxe para vocês só uma pequena amostra de que, nesse caso, é comprovado que a arte imita a vida e… Peraí, gente! Ouviram? Olha lá! Samuel, desce daí! Lelê, cuidado! Alguém acode essas crianças aí!!!