É impressionante! Você dá a notícia da gravidez, ainda que da terceira, quarta ou quinta, as pessoas se sentem autorizadas a dar conselhos e a contar suas próprias experiências.

Que comecem os jogos!

A galera do “eu sou bom pra caraca” coloca as asas de fora e com força. Alguns disputam qualquer espaço, ainda que a coisa for ruim. Você fala:

– Nossa ele não dormiu bem.

– Mulé, agradeça, por que o meu não dormia nem mal, passava a noite em claro.

Mas não, não são dessas que quero falar. Quero falar das que mentem descaradamente até pra si mesmo (não falarei das razões, mas das mentiras em si). E aqui, começa a treta séria. Experimenta fazer uma postagem em um grupo de maternagem pedindo qualquer ajuda com sua cria que começam as falácias. Vou citar uns exemplos:

– Minha filha dorme a noite inteira desde o dia em que nasceu!

Genteeeeeee! Para tudo! Até acredito que há crianças que choram menos, que dormem mais, mas véi, dormir a noite toda desde o dia que nasceu? Não. Tenho uma ou duas amigas que contam isso. Acredito em crianças que não despertam totalmente, dão só a clássica miadinha mamam e viram pro lado, no mais, emendar 8h de sono todos os dias desde que nasceu? Desculpa, não acredito, nem adulto dorme tão bem.

– O meu filho desmamou naturalmente. Não quis mais o peito.

Outra lenda opressora. Ou houve confusão de bicos causada pelo uso de chupetas e mamadeiras ou você acabou com a oferta do peito em livre demanda, começou controlar horários, fazer combinados e pronto. Largar por que largou é tipo fada e duende, lenda. Se eu não tivesse cortado a livre demanda até Bruno estaria mamando até hoje. E, gente, ok desmamar quando já encheu o saco, quando não tem rede de apoio e quando o trabalho inviabiliza, tá? Afinal as contas não se pagam sozinhas.

– Birra? Filho meu nunca fez.

Esse tópico só cito Luiz Gonzaga “…que mentira que lorota boa...”

– Eu nunca me canso dos meus filhos e nunca perco a paciência com ele.

Esse exemplo nem o rei do baião me socorre. Nem Chicó diria “só sei que foi assim.

Mulheres do meu Brasel varonil (o que será que significa varonil?), não estamos em uma competição. Filho que dê menos ou mais trabalho não dá prêmio no fim da vida. Não vai tocar o tema na vitória se você cuspir aos quatro ventos que seu filho come brócolis e cenoura crua. Isso é bobagem. O que faz a diferença e nos faz melhores é a nossa troca de experiências reais que não imputem culpa umas nas outras.

Ao invés de bradar que tem o melhor mais dorminhoco, comelão e peidador com cheiro de flores do planeta, que tal oferecer ajuda? Ou ao menos um simples e afetuoso olhar de cumplicidade para aquela mãe que o filho tá no chão chorando compulsivamente? Ou que não para quieto no cinema? Assim descortinaremos juntas a maternidade e viveremos bem mais leves…meus filhos não dormiram todas as noites a noite toda, deram birra e eu cortei a livre demanda para que eles desmamassem. Ufa!