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Apresentação A Branca de Leite

Ilustrações Juliana Verlangieri

Literatura Infantil – reconto de A Branca de Neve

Editora C de Coisas

Branca era o nome da menina. Depois que a mãe morreu, a apelidaram de Branca de Leite.

 Sim, ela era ALÉRGICA A LEITE.

O pai também se foi deixando uma grande FORTUNA por herança.

A madrasta queria a fortuna só para si e ninguém ficaria em seu  C A M I N H O

.

 

O Projeto Literário abaixo traz sugestões de atividades inspiradas no BNCC (Base Nacional Curricular Comum). Contempla temas relevantes na formação das crianças da Educação Infantil e Ensino Fundamental I, proporcionando autoconhecimento, vivências e experiências ricas em valores e virtudes, compartilhar saberes, contribuindo para a formação do Ser  e do bem conviver, de forma lúdica e reflexiva.

 

“ … compromisso com a construção de uma sociedade mais justa, democrática e inclusiva.” (Base Nacional Curricular Comum)

 

Sugestões de Atividades

MOTIVAÇÃO, SENSIBILIZAÇÃO E CONTEXTUALIZAÇÃO

(antes da leitura do livro)

LEVANTAMENTO DE CONHECIMENTO PRÉVIO DA TURMA A RESPEITO DO TEMA 

  • O que sabem sobre alergia alimentar ?
  • Sabem o que é alergia ou intolerância alimentar?
  • Conhecem alguém que tenha esta alergia ou intolerância?
  • Sabem Qualtratamento para alergia alimentar?
  • Você costuma ler os rótulos dos alimentos que consome?
  • Oque costumam lanchar aqui na escola?.
  • De onde vem o leite que costumamos beber? ( abordaros mamíferos e  o leite adequado para cada filhote)

 

APRESENTAÇÃO DO LIVRO 

  • Explorar capa, ilustração, autora, editora,…

 

HORA DO CONTO 

  • Interpretação, imaginação,  formaçãode opinião, respeito às diferentes ideias, capacidade de síntese.

 

Roda de Conversa com a Turma

SUGESTÕES PARA A CONVERSA SOBRE O LIVRO

O PAI DE BRANCA NÃO FEZ SUA PARTE NA FAMÍLIA, O QUE VOCÊ ACHA?

  • O final dessa história seria diferente se o pai da Branca não fosse omisso?
  • Como é na sua casa?
  • E você faz sua parte em casa?

 

BRANCA TINHA APELIDO POR TER ALERGIA A LEITE

  • Todos os apelidos são bons?
  • Você gosta de ser chamado por apelidos?
  • Você chama seus amigos por apelido?
  • E se o amigo disser que não gosta, você respeita?

 

AUTOESTIMA, DEFEITOS E QUALIDADES

  • Podemos escolher quem somos fisicamente?
  • É justo criticar uma característica que não foi escolhida?
  • E as que não podemos mudar como a alergia alimentar?

 

BRANCA TOMOU ALGUMAS DECISÕES MUITO PERIGOSAS

  • O que você faria no lugar dela?
  • Qual a pior decisão que ela tomou na sua opinião? Morar com estranhas?

Aceitar alimento da madrasta? Recusar o médico como paquera?

ATIVIDADES PRÁTICAS SUGERIDAS A PARTIR DOS TEMAS ABORDADOS ACIMA, CONFORME O FLUXO DE INTERESSE DA TURMA E FAIXA ETÁRIA DA TURMA

 

  • Passeio a um mercado para analisar rótulos de alimentos e de materiais escolares que contenham leite e trigo.

 

  • Pesquisa sobre alérgicos alimentares na escola quantitativa e qualitativa: Quem são? Quantos são? São alérgicos a qual alimento?

 

  • Campanha interna de conscientização sobre alergias alimentares elaborada pelos alunos.

 

  • Encenação da história com dramatização livre, fantoches, sombra ou utilizando o áudio-livro.

 

  • Oficina de culinária com o preparo de uma receita que contemple as restrições alimentares de alguém da classe, caso não haja nenhum alérgico, pode-se fazer uma receita sem leite animal.

 

  • A roda de conversa pode ser realizada com a presença da Autora mediante verificação de condições e disponibilidade.

 

  • Convidar um/a nutricionista para ser entrevistado/a.

 

EXPRESSAR, BRINCAR, EXPERIMENTAR. OUTRAS LINGUAGENS E FORMAS DE EXPRESSÃO

 

  • Dramatizar a história utilizando o próprio corpo e voz ou outros acessórios cênicos
  • Produção textual sugerindo inventar outros finais para a história lida.
  • Fazer uma lista de sentimentos encontrados no livro e expressar com mímicas para a turma descobrir qual é.

 

SOBRE AUTORA

 

Christiane Nóbrega é advogada, escritora e integra o Coletivo Editorial Maria Cobogó que promove literatura independente. Mãe de três, todos com alguma alergia alimentar, atua na conscientização da alergia alimentar. Tem um livro lançando pela Editora Franco, “Júlio, um dinossauro muito especial” que já está na primeira re-impressão. E outro lançado pelo selo C de Coisas, “A Branca de Leite” que já conta com quase mil exemplares vendidos. Esse segundo fala, entre outros assuntos, de alergia alimentar.

 

links interessantes

 

http://www.christianenobrega.com.br/    https://mariacobogo.com.br/

https://chefcarlamaia.com/carla-maia/                 http://www.asbai.org.br

http://saborsemlimite.com.br/                              https://alergiaalimentarbrasil.com.br/

 

 

Maria Cobogó

COBOGÓ – A ORIGEM

Alessandra Roscoe

Ana Maria Lopes

Christiane Nóbrega

Claudine Duarte

Elisa de Mattos

Marcia Zarur

Foto Thaís Mallon

Solange Cianni

Hoje em alta, o cobogó foi criado em 1929, ano de grande crise, pelo comerciante português Amadeu Oliveira Coimbra, pelo alemão Ernst August Boeckmann e pelo engenheiro pernambucano Antônio de Góes em Recife, PE. As iniciais de seus sobrenomes formaram a deliciosa palavra COBOGÓ.

O cobogó foi uma solução para amenizar o calor nas casas pernambucanas e levantar paredes sem impedir a ventilação. Em Brasília, com sua arquitetura de vanguarda, o cobogó teve seu ápice. Encontrou espaço e virou símbolo.
Maria é um nome comum. Muitas vezes usado para denominar uma pessoa qualquer que não se conhece, uma “dona Maria”. Ao mesmo tempo é utilizado em várias línguas, sendo que alguns estudiosos atribuem sua origem ao nome hebraico מרים, traduzido como Miriam, que significa rebelião, como também pode ter surgido a partir de um nome egípcio derivado de mry (amada) ou mr (amor).

Maria e Cobogó. Mulheres comuns que em um encontro no Nordeste brasileiro, não em Pernambuco, mas na vizinha Paraíba, em João Pessoa, estreitaram laços, deram as mãos e de quão boa foi a experiência, decidiram que, aqui no cerrado, seguem juntas! Uma rebelião como movimento para dar espaço às palavras, ventilando todas letras possíveis e iluminando a amizade em forma de livros.

Maria Cobogó.

Uma confraria das palavras. Uma associação de amigas. Uma parceria de idéias. Mulheres que se unem para realizar.

www.mariacobogo.com.br

 

christiane nobrega - autora do livro a branca de leite

O dia em que nasci escritora

O dia em que nasci escritora

 

christiane nobrega - autora do livro a branca de leite

 

Desde pequena me atraíam as letras. Quando eu lia um livro ou assistia um filme, invejava quem teve capacidade de pensar uma história completa. A escritora que tinha nas mãos o poder de inventar mundos, relacionamentos, aventuras. A capacidade de levar o leitor onde quiser. Chorar, sorrir e até gritar. Uma poesia minha foi selecionada para o livro da escola quando eu era da 2ª série!

Aí eu cresci. Cresci e meus sonhos ficaram para trás. Como se não coubessem mais em mim, uma roupa apertada e curta. Mais que isso, esqueci de alguns completamente. Descobri que, na verdade, eles não ficaram para trás, só migraram da ilha principal para ilha do sono e um dia um despertador enorme e barulhento tocou e acordou a todos. E agora? O que eu faria com cada um deles? Uns descartei, eram realmente sem sentido. Outros voltei a cultivar. Desse cultivo, nasceu o blogue.

Não tive/tenho disciplina para escrever com regularidade. Passei meses e até ano com o blogue sem postagens. O que fazer para seguir escrevendo com prazer? Abrindo mão de faxinar a casa, de ficar navegando na internet à deriva para me dedicar a escrita? Escrevendo para alguém, já que não tenho disciplina, responsabilidade sei cumprir, prazo então, nem se fala! Propus a um grupo local escrever o seu site. Não deu muito certo, não era a pegada do grupo. Aí surgiu a oportunidade de escrever quinzenalmente para o Geração Mãe sobre temas diversos e, especialmente, cultura voltada para o universo infantil. Bingo! Já há um ano no ar! Os meus textos não têm recordes de acesso, mas tem baixíssima rejeição, o que é muito bom.

 

Além dos textos do blogue, começaram a surgir histórias na minha cabeça. A primeira que formatei como um livro nasceu de uma tarde chata e entediante de domingo. Escrevi, formatei com espaço para ilustrar, paginei, mandei imprimir e gritei:

 

-Lele, tem um “negócio” pra você na impressora! – ela amou! Ilustrou e foi muito legal!

 

Depois dessa delícia de experiência, comecei a mostrar o livro que fiz pra Lelê para várias amigas do ramo. Fiquei bolada, todos gostaram. Não levei nenhum comentário a sério, afinal, eram amigas. A tal lente do amor põe beleza em tudo. Mas também não desanimei e mostrei meus textos a um editor. Ele topou publicar uma história da Maria Elisa que reescrevi: “Júlio, um dinossauro muito especial”. Assinei o contrato e esqueci, parece que o tal sonho voltou para tal ilha.

 

Passados 6 meses da assinatura do contrato, recebi um e-mail com o arquivo do livro. Caraca! E a coragem de abrir? E se o livro estivesse uma bela porcaria? Sim, eu muitas vezes me boicoto. Até que um dia decidi abrir e foi uma grata surpresa. Gostei muito do resultado. Pronto, agora era cuidar na organização do lançamento. Data e local marcados, coração na mão.

 

A ansiedade me consumiu na véspera e no dia. Minha cria seria parida e seria exposta às pessoas. Como seria? O que diriam? A minha amiga Gina Karla me maquiou e penteou. Nem gosto dessas coisas, mas aceitei e foi bom demais! Fundamental para me acalmar.

Saindo da Gina olhei para o céu e cara de chuva, o shopping era aberto, e agora? Como Deus é bom, a Elizabeth Mota, responsável pelo lançamento junto à livraria, mandou uma mensagem:

– Não se preocupe com a chuva, tenho um plano B, fique tranquila! – que carinho! Nunca vou esquecer!

 

Frio na barriga. Sentei na cadeira e só levantei depois de 105 livros assinados, muitos abraços e muito carinho de amigos e pessoas que nunca vi. 2h20 sentada e feliz! Foi um dia memorável!  Hoje, 10 meses depois, já são mais de 700 exemplares vendidos e muita alegria espalhada com as cores do Júlio.

E foi assim, no dia 04 de junho de 2016, eu nasci como escritora!

Chapeuzinho Vermelho

Chapeuzinho Vermelho

 

Chapeuzinho Vermelho era uma menina esperta e inteligente. Ela vivia na floresta com sua mãe, que fazia quitutes maravilhosos! Tudo muito gostoso e caprichado. Chapeuzinho adorava ajudar a mãe na cozinha. Enrolava doces, provava pães e embalava os salgados. Já até fazia algumas receitas mais simples sozinha. Se divertiam juntas fazendo mágicas na cozinha.

 

Numa linda manhã de sábado, a vovó ligou contando que estava doente e precisava de ajuda. Pediu que a filha mandasse uns lanchinhos, quem sabe assim ela se sentiria melhor. A vovó tinha umas alergias alimentares e não podia comer todas as coisas. Mas a filha e a neta sabiam direitinho o que ela podia comer e correram para a cozinha.

 

Misturavam a farinha, com carinho. O açúcar, com muito afeto! Ovo? Não, não, ela não podia. Leite de coco? Esse sim ela podia. Leite de vaca? Nem pensar! Não podiam esquecer o fermento e de pré-aquecer o forno. Quando terminaram tudo, a casa estava repleta de um perfume fantástico e a mesa estava cheia de bolos, pães e doces incríveis! A mãe pegou uma linda e grande cesta de piquenique, forrou com seu pano mais bonito e organizou tudo.

 

 

– Filha, você quem vai levar a cesta para a vovó. Cuidado no caminho. Dizem por aí que há um lobo no parque e que ele anda rondando crianças.

 

– Não se preocupe, tô levando meu celular, vejo no waze os alertas de lobos. – depois que falou isso, vestiu sua capa de chuva vermelha e suas galochas e foi encontrar a vovó enquanto sua mãe terminava suas encomendas.

 

Ah! O parque que ficava entre a casa da avó e a de Chapeuzinho era lindo! Cheio de árvores, pássaros e outros animaizinhos. Ela ficou tão animada que até esqueceu do lobo. Ia fazendo do caminho um belo passeio quando teve seus pensamentos interrompidos por alguém:

 

– Ei! Ei menina!? Onde você está indo com essa cesta enorme? – ela esqueceu que a mamãe tinha avisado para não falar com estranhos e foi logo respondendo:

 

– Quem é você? Eu sou a Chapeuzinho Vermelho e vou visitar minha avó, que está doente. Nessa cesta estão os lanches que preparamos para ela. Mamãe também colocou algumas frutas.

 

– E onde sua avó mora?

 

– No final do parque.

 

Chapeuzinho estava tão animada com tudo que nem percebeu que ela falava com quem? Com quem? Com ele, ele mesmo, o Lobo!

 

O Lobo morto de fome, doido pela cesta e pela menina, decidiu pegar um atalho e chegar primeiro que Chapeuzinho. Chegou na casa da Vovó e a prendeu no guarda-roupa. Vestiu suas roupas, mas esqueceu de pegar o celular da vovó! Ela, muito esperta, mandou logo um whatsaap pra netinha:

– Minha neta, chame ajuda, o Lobo me prendeu no armário e está vestido com minhas roupas para enganar você e comer meus lanches. – Assim que leu, Chapeuzinho ligou para a polícia.

 

O Lobo ficou muito engraçado com a camisola florida, touca e pantufas da vovó. Sentou-se na cadeira de balanço meio desajeitado e esperou. Esperou e até cochilou. Chapeuzinho demorou por que estava esperando a polícia.

Toque-toque-toque:

– Quem bate? – perguntou tentando afinar a voz.

Fingindo não saber de nada e seguindo as orientações da policial que estava escondida ao lado da porta, falou:

– Sou eu, vovó! A senhora está rouca mesmo, hein?

– É a rinite, netinha. O que você trouxe pra mim aí nessa cesta?

– Ah! Vovó, trouxe muitas comidas gostosas. – disse a menina bem nervosa.

O Lobo pegou a cesta e já foi colocando o primeiro bolinho na boca quando Chapeuzinho perguntou:

– Você vai mesmo comer sem saber o que tem? E se você tiver alergia?

– HAHAHHHAHA – riu alto o Lobo – alergia é frescura! Um médico me falou que eu não podia amêndoa nem http://christianenobrega.com.br/bananas-amassadas/, mas é bobagem, coisa de gente besta, quero mais é encher minha pança!- tirou a touca e meteu vários pãezinhos de uma vez na sua bocona. Chapeuzinho ficou com medo do Lobo e também preocupada porque era exatamente um pão de amêndoa que ele pegou para comer.

O Lobo ainda devorando a cesta de comidas, começou a se coçar. Coça aqui. Coça ali:

– Devo estar com pulgas! – mas seu olho começou a inchar e o Lobo já estava mesmo era parecendo um balão e não um lobão. Sorte do Lobo que junto com os policiais que cercaram a casa, veio uma ambulância com médico para cuidar da Vovó.

Ufa! O Lobo foi socorrido a tempo e aprendeu a lição, alergia é realmente coisa séria. Depois que saiu do hospital, pediu desculpas à vovó, à Chapeuzinho e à mãe. Acreditam que a conversa foi tão boa que até ficaram amigos? Perdoar e aprender com os erros é muito importante. O Lobo que queria mudar de vida, pediu ajuda para a mãe da menina e passou a ser o entregador das encomendas e elas decidiram que não mais usariam mais amêndoas em suas receitas, assim a vovó e o Lobo poderiam comer tranquilos todas aquelas delícias!

Sobre aparência, beleza e Carmen Miranda

Nunca fui muito habilidosa com trabalhos manuais. As roupas das minhas bonecas eram amarradas, coladas, nada combinava. Uma tragédia! Admirava quem conseguia costurar as roupas. Até hoje nem botão sei pregar! E a estética? Uau! A combinação perfeita de cores, a ousadia nos adereços, um estilo próprio, sempre babei em mulheres e meninas com essa capacidade de nunca estar na moda e sempre terem sua identidade fazendo seu próprio estilo, rompendo com o óbvio do senso comum e dando asas à criatividade sem se preocupar com os olhares e opiniões nada proveitosas.

 

Já na idade adulta, eu consegui realizar um pouco dessa liberdade. Em 2011 deixei de pintar os cabelos e, por volta de 2013, de escová-los. Não me lembro muito bem quando passei a ignorar as regras de vestuário da advocacia, imagino que tenha sido tão logo me formei, exceto, claro, nos casos que para entrar no Tribunal tenha que estar assim ou assada. Sim, ainda tem disso por aí e acabo encarando para evitar a fadiga.

 

Tudo tem um custo. Minha decisão quanto à minha aparência já me fez ouvir vários comentários ruins e outros tantos machistas:

 

– Nossa! Pinta o cabelo. Vai ser mais respeitada! (ignorei)

– Ué? Você é advogada? Achei que era estagiária. (fiquei feliz, sinal que me achou nova)

– Toma aqui 15,00 para você comprar uma tinta! (recebi e comprei picolé)

– Seu marido deixou? (também mereceu silêncio como resposta)

 

Nenhum desses comentários ou de outros não listados, me fez demover da ideia de ser eu mesma, de me olhar no espelho e me reconhecer, de ver a Christiane lá exatamente como ela é: com acne adulta, com cabelos brancos e seus cachos com vontade própria, qual sua dona, com sua história indelével em seu corpo em forma de rugas, peitos flácidos, estrias e cabelos brancos. Alguns dias me acho linda, outros tenho certeza, outros me acho feia. O fato é que em nenhum deles minha aparência é decisiva para o que sinto, mas sim todo o contexto do meu dia. Quem nunca se achou linda de chinelo e caneta prendendo o cabelo? E feia pronta para um baile de gala?

 

Não sou a primeira mulher a agir assim, tentando ser ela mesma e buscando sua identidade no visual. Várias outras abriram caminho para que eu hoje pudesse tão tranquilamente nunca pintar as unhas ou escovar os cabelos e em elas fizeram em épocas muito mais difíceis. Uma delas foi Carmen Miranda, sim, aquela das frutas no chapéu.

 

Nunca havia lido nada sobre Carmen Miranda até me deparar com o “Carmen, a pequena grande notável” de Heloísa Seixas, Júlia Romeu e Graça Lima – Edições de Janeiro. Engraçado que o comprei naquelas megas promoções de novembro e sequer o tirei do plástico por meses. Parece que tudo tem sua hora e deste livro foi sábado passado.

 

Desde menina, Carmen Miranda costurava as suas roupas. Já adulta, pensou seus sapatos (ela inventou os sapatos de plataforma) e seus chapéus. Criou um estilo próprio e único de cantar que se eternizou. Virou lenda, virou mito. Carmen Miranda hoje, muitos anos após sua morte, faz parte do imaginário popular brasileiro como símbolo de alegria e autenticidade. Isso em um tempo que mulher sequer era autorizada a ter um bem, quanto mais a ser ela mesma.

 

A leitura desse livro foi uma verdadeira delícia, com direito a cantar os sambas eternizados na voz da Grande Pequena Notável, dançar a imitando e assistir a seus vídeos na internet. A história de Carmen por si só já é incrível, como se fosse possível, fica ainda melhor na narrativa desse livro imperdível! Uma leveza, uma poesia…recomendo muito!

 

Obrigada, Carmen Miranda! As frutas dos seus chapéus abriram alas pros brancos, crespos, verdes, azuis que hoje vemos por aí!

(originalmente postado no Geração Mãe)