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Mulheres,

Desde o dia 22 de outubro quando inesperadamente o Fios apareceu na lista dos finalistas do Jabuti me tornei monotemática. Não cabia no meu metro e meio essa indicação transbordava. Não que não confiasse na qualidade do livro, mas porque não acreditava que furaríamos a bolha. Hoje, passada a ressaca da festa, preciso exaltá-las. Exaltar o Coletivo Maria Cobogó.

Antes preciso me redimir, me senti tola de não ter celebrado como merecia a indicação dos Calangos Leitores em 2018. Ignorância é o nome disso. Claudine, me perdoe. Um perdão Maria Cobogó.

O Fios veio antes de vocês. Lá em João Pessoa, no 1º Mulherio das Letras, talvez em Cabo Branco, saquei o celular e mostrei o livro, lembram? E ele ficou ali guardado. No celular. Ainda nem erámos Maria Cobogó.

Depois, cada etapa foi um parto a fórceps. Revisão, gaveta, ilustração, gaveta, bordado, gaveta, fotos, gaveta… Até que em 2019 a Claudine decidiu tirá-lo desse ciclo de uma vez por todas. Era a hora. Meu primeiro Maria Cobogó.

O processo foi cuidadoso. Detalhes. Colofão. Capa. Textura do papel. Gráfica. Design. Fonte. O tom do vermelho. Tudo cuidado entre cafés, doces e pães de queijo. Prazeres e autonomia que só a literatura independente proporciona. Só o Maria Cobogó.

A nós não bastou o “tá bom” precisávamos do “excelente” e em cada passo, em cada insegurança, em cada celebração…juntas. Desse jeito, com a Claudine segurando minha mão feito quando eu era criança e mamãe agarrava meu pulso pra eu não escapulir, não me sabotar, assim até o final. No melhor jeito Maria Cobogó.

Somos cinco Mulheres.

Plurais.

Singulares.

Cinco diferentes.

Muitos livros lançados, outros tantos vendidos.

Duas finais do Prêmio Jabuti, uma pra cada ano de vida.

Não somos do tal eixo Rio-São Paulo. Não somos editora e muito menos temos dinheiro ou fama. Só sei que nossa vocação é escrever raios de romances, idealizar e gerenciar projetos de leitura, fugir na pandemia pra nadar no lago, se achar fraudes vez ou outra, receitar tratamentos alternativos, se perder nas conversas paralelas multitemáticas, mandar flores umas pras outras, levar cantil com água fresca pelo deserto e se amar. E lá vamos nós tecendo juntas pelo caminho, sendo finalistas do Jabuti e acabando o quibe do Beirute vez ou outra. Assim, no melhor jeito Maria Cobogó.

Obrigada.

Chris Jabutica Cobogó Nóbrega