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Áudio Livro “A Branca de Leite”

Áudio Livro “A Branca de Leite”

 

 

A alergia alimentar é uma séria questão de saúde pública. Sua ocorrência afeta inúmeras pessoas o que impõe a adoção de políticas públicas de conscientização sobre o tema. Neste sentido, em algumas cidades do Brasil, a partir de iniciativas da sociedade, foi instituída a Semana de Conscientização sobre Alergia Alimentar quando são promovidas ações de conscientização a fim de incluir os alérgicos alimentares e, sobretudo, evitar reações alérgicas.

 

É imprescindível que a sociedade como um todo, especialmente as escolas e serviços de saúde, discutam e estabeleçam métodos para não só incluir os alérgicos, como também prevenir reações alérgicas a partir de exposições desnecessárias ou acidentais, que, além do risco e prejuízos pessoais e sociais, significam gastos do sistema de saúde público ou suplementar.

 

A data, terceira semana de maio, foi estabelecida internacionalmente por algumas instituições. No Brasil, o estado do Pernambuco e a cidade de Campos dos Goitacazes tem lei aprovada instituindo a mesma data. Em São Paulo, Brasília, Espírito Santo e Piracicaba tem projeto de lei em andamento.

 

Mas esse papo formal e embolorado não combina comigo e independente de iniciativa pública venho fazendo a minha parte divulgando a causa em ações virtuais e presenciais.

Nesse ano de 2018, por motivos pessoais, não participarei presencialmente de nenhum evento e estou especialmente de coração partido pela semana em Campos dos Goitacazes capitaneada pela jornalista Flávia Ribeiro Nunes Pizelli, que tenho certeza será uma arraso.

 

Assim, fazendo o que me resta, a divulgação virtual, segue minha contribuição: o áudio livro do A Branca de Leite maravilhosamente produzido pela C de Coisas, história que nasceu do e para meu ativismo. Com as vozes de Adriano Siri, Adriana Nunes, Luciana Amaral, Theo Camanho, Marcello Linhos e Lis Nunes e Trilha original de Marcello Linhos, Direção e montagem: Adriano Siri e Produção C de Coisas.

 

Divirtam-se!

 

 

 

Chapeuzinho Vermelho

Chapeuzinho Vermelho

Chapeuzinho Vermelho

 

Chapeuzinho Vermelho era uma menina esperta e inteligente. Ela vivia na floresta com sua mãe, que fazia quitutes maravilhosos! Tudo muito gostoso e caprichado. Chapeuzinho adorava ajudar a mãe na cozinha. Enrolava doces, provava pães e embalava os salgados. Já até fazia algumas receitas mais simples sozinha. Se divertiam juntas fazendo mágicas na cozinha.

 

Numa linda manhã de sábado, a vovó ligou contando que estava doente e precisava de ajuda. Pediu que a filha mandasse uns lanchinhos, quem sabe assim ela se sentiria melhor. A vovó tinha umas alergias alimentares e não podia comer todas as coisas. Mas a filha e a neta sabiam direitinho o que ela podia comer e correram para a cozinha.

 

Misturavam a farinha, com carinho. O açúcar, com muito afeto! Ovo? Não, não, ela não podia. Leite de coco? Esse sim ela podia. Leite de vaca? Nem pensar! Não podiam esquecer o fermento e de pré-aquecer o forno. Quando terminaram tudo, a casa estava repleta de um perfume fantástico e a mesa estava cheia de bolos, pães e doces incríveis! A mãe pegou uma linda e grande cesta de piquenique, forrou com seu pano mais bonito e organizou tudo.

 

 

– Filha, você quem vai levar a cesta para a vovó. Cuidado no caminho. Dizem por aí que há um lobo no parque e que ele anda rondando crianças.

 

– Não se preocupe, tô levando meu celular, vejo no waze os alertas de lobos. – depois que falou isso, vestiu sua capa de chuva vermelha e suas galochas e foi encontrar a vovó enquanto sua mãe terminava suas encomendas.

 

Ah! O parque que ficava entre a casa da avó e a de Chapeuzinho era lindo! Cheio de árvores, pássaros e outros animaizinhos. Ela ficou tão animada que até esqueceu do lobo. Ia fazendo do caminho um belo passeio quando teve seus pensamentos interrompidos por alguém:

 

– Ei! Ei menina!? Onde você está indo com essa cesta enorme? – ela esqueceu que a mamãe tinha avisado para não falar com estranhos e foi logo respondendo:

 

– Quem é você? Eu sou a Chapeuzinho Vermelho e vou visitar minha avó, que está doente. Nessa cesta estão os lanches que preparamos para ela. Mamãe também colocou algumas frutas.

 

– E onde sua avó mora?

 

– No final do parque.

 

Chapeuzinho estava tão animada com tudo que nem percebeu que ela falava com quem? Com quem? Com ele, ele mesmo, o Lobo!

 

O Lobo morto de fome, doido pela cesta e pela menina, decidiu pegar um atalho e chegar primeiro que Chapeuzinho. Chegou na casa da Vovó e a prendeu no guarda-roupa. Vestiu suas roupas, mas esqueceu de pegar o celular da vovó! Ela, muito esperta, mandou logo um whatsaap pra netinha:

– Minha neta, chame ajuda, o Lobo me prendeu no armário e está vestido com minhas roupas para enganar você e comer meus lanches. – Assim que leu, Chapeuzinho ligou para a polícia.

 

O Lobo ficou muito engraçado com a camisola florida, touca e pantufas da vovó. Sentou-se na cadeira de balanço meio desajeitado e esperou. Esperou e até cochilou. Chapeuzinho demorou por que estava esperando a polícia.

Toque-toque-toque:

– Quem bate? – perguntou tentando afinar a voz.

Fingindo não saber de nada e seguindo as orientações da policial que estava escondida ao lado da porta, falou:

– Sou eu, vovó! A senhora está rouca mesmo, hein?

– É a rinite, netinha. O que você trouxe pra mim aí nessa cesta?

– Ah! Vovó, trouxe muitas comidas gostosas. – disse a menina bem nervosa.

O Lobo pegou a cesta e já foi colocando o primeiro bolinho na boca quando Chapeuzinho perguntou:

– Você vai mesmo comer sem saber o que tem? E se você tiver alergia?

– HAHAHHHAHA – riu alto o Lobo – alergia é frescura! Um médico me falou que eu não podia amêndoa nem http://christianenobrega.com.br/bananas-amassadas/, mas é bobagem, coisa de gente besta, quero mais é encher minha pança!- tirou a touca e meteu vários pãezinhos de uma vez na sua bocona. Chapeuzinho ficou com medo do Lobo e também preocupada porque era exatamente um pão de amêndoa que ele pegou para comer.

O Lobo ainda devorando a cesta de comidas, começou a se coçar. Coça aqui. Coça ali:

– Devo estar com pulgas! – mas seu olho começou a inchar e o Lobo já estava mesmo era parecendo um balão e não um lobão. Sorte do Lobo que junto com os policiais que cercaram a casa, veio uma ambulância com médico para cuidar da Vovó.

Ufa! O Lobo foi socorrido a tempo e aprendeu a lição, alergia é realmente coisa séria. Depois que saiu do hospital, pediu desculpas à vovó, à Chapeuzinho e à mãe. Acreditam que a conversa foi tão boa que até ficaram amigos? Perdoar e aprender com os erros é muito importante. O Lobo que queria mudar de vida, pediu ajuda para a mãe da menina e passou a ser o entregador das encomendas e elas decidiram que não mais usariam mais amêndoas em suas receitas, assim a vovó e o Lobo poderiam comer tranquilos todas aquelas delícias!

Festa Infantil

Festa Infantil

Há algum tempo, festa de criança era sinônimo de dia com a mãe na cozinha e pai enchendo balão. A molecada tentando roubar os doces e, na hora da festa, um corre-corre e uma gritaria sem fim. Os presentes eram abertos ali mesmo ao serem recebidos, alguns já inaugurados durante a festa mesmo. Aconteciam algumas brincadeiras orientadas como corrida de saco, caça ao tesouro e dança das cadeiras. Na hora dos “Parabéns” o aniversariante já estava suado e despenteado.

Hoje algumas festas infantis viraram uma verdadeira loucura! Gasta-se quase o mesmo que em um casamento. Doces especiais, casas de festas lotadas de brinquedos eletrônicos, cenários faraônicos, fotógrafos caríssimos, detalhes dignos de Hollywood. Tem até troca de roupa pro “Parabéns”! Como não pensar no desperdício e no dano ao meio ambiente com tanto papel, borracha e plástico?

E a pobre criança passa metade da festa tirando fotos com quem nunca nem viu e se viu, nem lembra. A pergunta que não quer calar: a festa é pra quem? Quem se busca agradar com essa verdadeira “comemoração ostentação”?

Se é uma vontade consciente dos pais fazer um mega evento, tudo bem. É maravilhoso concretizar um sonho! Se você se enquadra nesses, vá em frente e quando alguém questionar responda que fez porque quis, por que era um sonho, pronto e acabou. Agora, veja bem, se a intenção é uma resposta ao círculo de amigos ou agradar a criança com essa super-comemoração, é pouquíssimo provável que ela curta!

Criança não vê detalhe, pra ela tanto faz se tem doces personalizados na mesa ou se tem só o bolo com cobertura de brigadeiro e granulado. Talvez ela se importe com os personagens escolhidos, mas só.

Ela quer saber é de brincar com as crianças e correr pra lá e pra cá. Abraçar a tia e tirar foto toda hora é chato demais até pra um adulto, veja lá pra uma criança! Quase sempre o resultado final é a criança exausta e irritada.

Vou dividir com vocês minha experiência de mãe de três e o mais velho com 18 anos. Até os 3 anos fiz festinha em casa, só para os mais íntimos. Depois a coisa foi crescendo. No aniversário de 8 anos fiz numa casa de festas infantis com tudo que tinha direito. Festa linda! Convidei todo mundo, até colegas de trabalho. Ao menos poupei o pobre das fotos durante a festa, marquei 30 minutos antes com os parentes pra isso.  Gastei uma pequena fortuna. Pra amenizar a culpa, pedi doações aos convidados e levei a um orfanato.

Passados uns anos, perguntei a ele quais as melhores festas da vida dele. Gente, ele citou 3 e essa aí nem estava no meio!!! E as melhores comemorações foram as menores, onde ele estava mais à vontade entre pessoas que ele realmente ama. É bem verdade que em um primeiro momento fiquei frustrada, tanta despesa pra nada? Percebi que pra mim aquela festa foi importante, quem se realizou fui eu. Talvez por uma questão meramente social.

A questão é que muitos pais se sentem frustrados por não conseguirem bancar uma festa tão, literalmente, rica. Mas o fato é que os filhos se satisfazem com um bolo confeitado de padaria mesmo e com seus amigos e familiares. Se a grana tá curta, experimente ir pra cozinha com ele fazer um bolo com cobertura e quem sabe até arriscar nuns docinhos de leite em pó. Escolha com ele os mais íntimos pra lanchar ou pra um piquenique. Deixe a criança mesmo fazer os convites e telefonar pros convidados! O que vai ficar é a emoção de ter feito tudo, o carinho e o amor! O resto? Vira literalmente lixo.

Comida de Festa

Comida de Festa

Já contei para vocês o que penso de festa de criança em outro texto. Criança tem que estar livre e se divertir. Mas ao que me lembre, falei mais das superproduções e megaeventos, não falei em comida. Agora quero dividir com vocês a nossa experiência com cardápio de festa, especialmente depois que a alergia alimentar trouxe algumas libertações.

 

Eu queria ler um estudo antropológico que me explicasse em que momento comida de festa virou sinônimo de porcaria: salgados fritos, doces ultraprocessados, salsichas cheias de corantes e conservantes e bebidas açucaradas. E aqueles sacos de doces que dão de lembrança?

Meu Pai!

Mas calma! Não desista deste texto, não ainda. Não vou propor linhaça dourada colhida no sereno pelas virgens de ilhas distantes em noite de lua cheia. Nem painço (o que é isso?). Nem chia. Não. Vou só falar de festa com comida de verdade.

 

Eu já paquerava com as festas com produção própria e por pura falta de criatividade, optava por almoços e jantares. Fácil, fácil fazer um almoço ou janta sem leite. Galinhada, churrasco, carnes assadas, saladas…sobremesa de aniversário é bolo, claro! O melhor disso é que o custo da festa cai um bocado. Mesmo depois da liberação do leite, seguimos fazendo festas inclusivas, porque inclusão e amor não fazem mal a ninguém.

Esse ano veio o desafio, Maria queria uma festa de tarde e com DJ. DJ contratado. A decoração seri
a desocupar a sala pra pista de dança e o que serviríamos? Troquei ideia com as amigas todas e fechamos o cardápio:

– esfirra de frango;

– enroladinho assado de queijo vegetal (os salgadinhos foram feitos nas duas semanas que antecederam e congelados);

– pipoca (de panela);

– sanduíche de frango com bisnaguito (não tem leite…);

– pão francês e para acompanhar coponata de berinjela e lagarto desfiado;

– milho cozido;

– caldo de frango;

– espetinho de tomate cereja com com manjericão (cortei as pontas para não machucar, viu, Fê?);

– dindim de mousse de maracujá e de coco sem leite (tem lugar que chama sacolé, outros chama geladinho…);

– salada de fruta (suco de laranja, manga, morango, banana e maçã. A banana tem que ser cortada e colocada logo no suco pra não ficar preta. A maçã colocada na água gelada com um tiquinho de sal, escorre e põe no suco);

– um pouco de refrigerante,

– sucos de frutas feitos em casa (abacaxi com hortelã, maracujá e morango);

– café (sim, fez super sucesso entre os adultos)

– nas suqueiras, água geladinha.

O bolo foi presente da Quitutices sem leite, sem refinados e sem glúten. Os doces foram tradicionais mesmo, feitos pela Cecília, minha sobrinha, e enrolados por nós todos (brigadeiro, leite em pó e paçoquinha). O mais legal de enrolar doces é a incapacidade de padronizar, no final, todo mundo de saco cheio de enrolar doce, saem uns brigadeiros enormes que na festa são disputados. Só tive o cuidado de garantir alguns livres de leite para os alérgicos e intolerantes presentes também produzidos pela Quitutices.

Algumas coisas foram bem legais de ver. Fizemos uma mesa de doces com uma placa: “tá liberado, pode comer!” e as crianças nem ligaram, mas os adultos se acabaram! Sobrou suco, sobrou refrigerante. Mas a água e o café foram repostos várias vezes. Os tomates foram causa de briga, não só porque estavam com um lindo espeto com nota musical, mas também por estarem deliciosos. É que eles podiam ter ido para o lixo e todos foram direto pras bocas das crianças! Mede-se a satisfação da comida da festa pelo desperdício, que foi quase zero.

A festa foi um sucesso em todos os sentidos, as crianças ficaram muito à vontade, dançaram bastante, comeram e brincaram. Confirmaram que comem o que oferece. Se vão a uma festa e não tem água, bebem suco, refrigerante… mas com a água sempre à mão, optam por ela.

Claro que deu mais trabalho que simplesmente contratar comida pronta, mas a comemoração e diversão começam no planejar, passa pelo fazer e vai pro resto da vida em lembranças incríveis. E a cereja do bolo, opa, morango orgânico, pudemos ouvir a clássica frase da Lele:

– Foi meu melhor aniversário!

 

O bolo e os brigadeiros sem leite da Quitutices (@quitutices)

A fotos são do Guilherme S (instagram @gui6891)

O som foi de Jackson Carvalho ( Facebook @somdjdf)

 

Diário Alimentar

Diário Alimentar

Diário Alimentar

Sabem aquelas dicas que a gente pensa: “ah se tivessem me contado isso antes?”, pois é, essa do diário alimentar é uma delas.

Quando recebi o diagnóstico da APLV (alergia ao leite de vaca) de Samuel não foi nada fácil. O médico foi certeiro e deu o tratamento: excluir o alimento da dieta. Parece bem simples, não? Mas não é nada simples.

O dia-a-dia da alergia não se aprende no consultório, por mais que o médico tenha muito conhecimento e boa vontade. Decidimos juntos, o médico e eu, a acompanhar quinzenalmente nessa primeira fase de diagnóstico e tratamento.

Algumas consultas eram muito animadoras, outras nem tanto. Eu ficava completamente perdida. Parecia estar fazendo tudo certo, mas os sintomas iam e voltavam. Depois de dias investigando o que estava furado na minha alimentação, decidi tomar nota de várias coisas diariamente, fazendo assim um diário alimentar.

O diagnóstico do Samuel veio quando ele ainda estava em AME – Aleitamento Materno Exclusivo – logo, quem fazia a dieta era eu. Então, neste Diário eu anotava diariamente:

  • todas as refeições feitas, incluindo as marcas e os temperos;
  • medicamentos, vacinas e complementos vitamínicos utilizados por ambos, registrando o laboratório, inclusive;
  • produtos de higiene pessoal de ambos, meus e dele;
  • cosméticos;
  • reações do bebê:

5.1- Comportamento:

–Sono

–Irritabilidade

5.2- Respiratório:

–Tosse

–Catarro

–Chiado no peito

5.3- Gastrointestinais:

–Fezes (muco, sangue, diarreia, cor e consistência)

–Gazes

–Cólicas

— Vômito ou refluxo

5.4-Pele:

–Coceira

–Edemas

–Urticárias

–Assaduras

  • Mudanças importantes de rotina, como passeios, consultas e visitas.

 

Muita coisa para escrever, não é? Para ficar mais fácil, Elias, o pai, fez uma tabela onde só preenchíamos os espaços.

O diário entrou na nossa rotina sem muita dificuldade, IMPORTANTE, sem ser um peso. O caderno ficava lá: ao lado da minha cama, e eu o preenchia. Algumas vezes inseria desabafos, outras piadas, outras escrevia: “o mesmo de ontem”, “nada de novo”, “vou enjoar de cuscus”, “esse bolo tava bem ruim”… ele, o diário, não foi uma grande obrigação, foi uma ajuda e que me limitei a manter atualizado.

Partindo dessas anotações, foi possível diagnosticar a alergia a ovo e também descobrir onde havia erros na minha dieta, possibilitando acertar o tratamento do meu filho. Acontece que nos casos de alergia alimentar, exames são complementares, para o diagnóstico a observação clínica adequada é fundamental e o diário foi um mecanismo maravilhoso para se chegar à cada conclusão.

O trabalho valeu a pena! Que bom que posso dar essa dica a está começando!