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Carta para Tito

Carta para Tito

Taguatinga-DF, 16 de novembro de 2020.

Querido Tito,

Sabe, friend, lá se foi um ano sem você.

Chegou o aniversário da Amanda e eu, covarde que sou, não tive coragem de ligar pra ela. Desculpa. Liguei só ontem, dia 14/11, 02 dias depois e agora decidi escrever. Meu aniversário, um mês antes do dela, foi um tanto triste. Não tive sua visita surpresa e nem seu telefonema. Alguns amigos deixaram o WhatsApp de lado e me ligaram como uma forma de te homenagear. Apesar de eu achar uma sacanagem, amigo. Porra, morrer no meu aniversário?

Mas, friend, tanta coisa aconteceu nesse um ano que não sei nem por onde começar… vamos lá!

Separei, mudei pra mais perto de você, voltei a pintar o cabelo e a malhar. Algumas decisões eu tomei pensando no que você me aconselharia, no que você acharia e não, não comprei nem um Fiat nem um Honda, mas certeza que você ficaria feliz com meu Toyota.

Caraca! Finalmente, passei o Carnaval em Salvador! E, véi, foi incrível. Todos os dias falei de você. Pensei o quanto ia ser legal estarmos juntos ouvindo as mesmas músicas de 20 anos atrás e rindo do tanto que o Kril reclamaria da incapacidade de renovação. Um chato. Um chato adorável. Feito eu e você.

Depois do carnaval o mundo mudou, estamos atravessando uma pandemia terrível. Várias questões políticas. Indecisões. Quase 170 mil mortos só no Brasil. O nome da doença é Covid. Há quem diga que é uma gripezinha, mas não é. Todos em quarentena. Comércio fechado por meses. Agora tentamos voltar à vida enquanto torcemos pela vacina. Vivemos tempos distópicos. Você não ia gostar.

Tá sentado? Bruno vai casar! Sim, com a Nathália. Eles formaram, amigo. Não teve festa. A pandemia não deixou. Tão bonitinhos! Você ia morrer de orgulho vendo as planilhas de custos desses meninos que, lógico, nunca vi, Deus me dibre.

Friend, ainda tem novidade. Meu terceiro livro, o Fios foi lançado em dezembro de 2019 é finalista do Jabuti. Sim, do Prêmio Jabuti 2020. Tá entre os 5 finalistas. Tenho tanta certeza que você vibraria comigo! Consigo ver seu rosto e ouvir sua voz comemorando. Apesar de achar que você não quebraria o isolamento pra me abraçar, porque, né?l Você tão metódico ia mesmo era brigar quando soubesse que corri pra mamãe quando soube do resultado. Ouvi até o “friendinha, friendinha”.

Você faz falta, friend. Nas broncas. Nas piadas. Na vontade de ouvir Phil Collins. De saber o resultado do Galo só pra te zoar. Na vida. A gente era mais que amigos, éramos friends, desde antes do meme, desde 1990.

Sua partida me deixou diferente. Agora sufoco minhas amigas pedindo que se cuidem. Digo a elas que as amo o tempo todo. Qual foi a última vez que disse que te amava? Será que o João e a Camila têm ideia do quanto você fez diferença na minha vida? Não sei…

Deus sabe o quanto eu queria poder te ligar agora e dizer que te amo e agradecer por sua presença na minha vida e dividir todas as minhas conquistas com você.

Vou dizer aqui, quem sabe um anjo leva o recado… friend, obrigada por tudo. Por cada abraço. Por cada bronca. Por cada conselho. Por cada brincadeira. Pela parceria. Se hoje sou é porque fomos.  Te amo!

Chris

ps.: não, não parei de reclamar de você com a Sheila e Amanda. Seguimos falando mal. Nosso assunto favorito.